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RomanceComo ler mais (sem acrescentar horas ao dia)

Como ler mais (sem acrescentar horas ao dia)

“So many books, so little time.” Nunca esta frase fez tanto sentido como agora. Longe vão os tempos em que podia ler a qualquer hora do dia, sempre que me apetecesse. Hoje, ler exige intenção. Exige criar tempo. Mas será que faz sentido entrar em desafios de leitura? E desde quando é que ler se tornou um ato de vaidade? Como podemos — realmente — encontrar espaço para os livros na nossa rotina? É sobre isso que vos venho falar neste post.

Desafios de leitura: sim ou não?

No ano passado escrevi que não ia participar em desafios de leitura — daqueles em que se define um número de livros para ler ao longo do ano. Expliquei porquê neste post, e continuo a sentir exatamente o mesmo. Uma coisa é contar quantos livros lemos. Outra, bem diferente, é transformar a leitura numa meta rígida, que nos obriga a “trabalhar” para atingir um número e nos deixa desmotivados quando ficamos aquém.

É verdade que estes desafios têm o seu lado positivo: podem incentivar-nos a ler mais. Mas também é fácil cair na armadilha de ler apenas para cumprir, agarrando em livros que nem nos interessam só para “ganhar” (o quê, exatamente? ainda estou a tentar perceber).

Falo por experiência própria — já estive aí. E por isso sinto que ganhei o direito de dizer: isso é ridículo.

Se já se apanharam neste registo, pensem comigo: que valor tem ler 40, 50 ou 100 livros num ano… se nem sequer gostámos assim tanto deles, se acelerámos as leituras só para riscar títulos de uma lista? Arrisco dizer: nenhum.

E clubes de leitura (Bookclubs)?

Sempre me fascinou a ideia de participar num clube de leitura presencial, com conversas sobre livros à volta de uma mesa. Ainda não o fiz — pelo menos não dessa forma tradicional — mas o projeto Páginas Salteadas foi, e continua a ser, uma das experiências mais próximas disso (e uma das mais queridas para mim).

Entretanto, decidi juntar-me ao Creativity Book Club, conduzido pela Rafaela Mota Lemos e que acontece uma vez por mês, na livraria Fable, em Lisboa.

É um clube de leitura com um foco muito especial: explorar livros que alimentam a criatividade, o pensamento crítico e a expressão pessoal. Mais do que discutir enredos, mergulha-se em ideias, provocações e inspirações que os livros despertam em cada participante. O espaço acolhedor da Fable torna tudo ainda mais mágico — quase como se estivéssemos a conversar dentro de um livro.

A vaidade da leitura

Ter orgulho nos livros que lemos é ótimo. A leitura deve ser sempre fonte de prazer, não de pressão. Mas ultimamente tenho visto um fenómeno estranho, especialmente nas redes sociais: pessoas a lamentarem-se por terem lido 30 e tal livros num ano.

Ler não é uma maratona. Não é uma competição. Pelo menos, não deveria ser.

Antes do Instagram e do TikTok, ninguém falava assim. Ninguém andava a contar livros como se fossem pontos de um campeonato invisível. E o mais curioso? Mostrar aos outros quanto lemos não nos dá absolutamente nada em troca. Os elogios são passageiros. Ninguém vai para a cama a pensar “Uau, aquela pessoa leu 47 livros este ano”. Vamos ser honestos.

Se forem entrar num desafio este ano, que seja este:

Ler o que vos apetecer, no tempo que for preciso.

Mas então... como ler mais com o tempo que temos?

Se querem mesmo saber como encaixar mais leitura no vosso dia-a-dia, deixo duas dicas simples — e eficazes.

📖 Dica #1: Cria o teu tempo

Da mesma forma que arranjamos tempo para ir ao ginásio, para ver uma série ou para ir tomar um café, também podemos criar tempo para ler. Define um compromisso: 10 páginas por dia, 30 minutos sem distrações, ou o que fizer mais sentido na tua rotina. Não esperes que o tempo apareça — ele tem de ser criado.

 

📖 Dica #2: Escolhe livros que realmente te atraiam

Não sigas modas, capas bonitas ou tendências do Instagram só porque sim. Lê o que te chama, o que te entusiasma ainda antes de abrires a primeira página. É muito mais fácil manter o hábito quando estamos genuinamente entusiasmados com o que estamos a ler.

Sabes aquela sensação de comprar um livro novo e ficar a contar os minutos para ter um momento só teu e mergulhar nas primeiras páginas? É isso que importa. É isso que nos faz continuar.

Ler mais não tem de ser um objetivo stressante nem uma corrida contra o tempo. Pode — e deve — ser um prazer simples, encaixado de forma intencional na nossa rotina. Não precisamos de ler mais livros, mas sim de ler com mais presença. Se soubermos escolher bem o que lemos e criarmos pequenos momentos para isso, já estamos a ganhar. Afinal, o que importa mesmo não é a quantidade, mas o impacto que cada leitura deixa em nós.

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