Porque assino todos os meus livros
Quando era miúda era fascinada pelos livros das minhas tias e da minha avó paterna, que morreu quando eu era bebé. Na primeira página de cada livro, as mulheres do lado da família do meu pai assinavam o nome e sobrenome de uma forma que eu achava inexplicavelmente elegante.
E então, quando tinha cerca de 11 anos, comecei a fazer o mesmo.
Primeiro, eram alcunhas, depois nomes que eu adoptava conforme a “pancada” da altura, como por exemplo, “Morgaine” (a minha personagem favorita de As Brumas de Avalon).
Depois, quando comecei a entrar mais na adolescência, comecei a assinar com o nome todo (excepto o G.), assinatura que mantenho até hoje.
Volta e meia até anoto o nome da pessoa que me ofereceu o livro, como este Danças na Floresta (que AMEI) que me foi oferecido pelo meu irmão no Natal de 2010.
E recentemente descobri que há mais pessoas com este pequeno “tique”, quando comprei este livro numa feira de livros em segunda mão no Chiado, no ano passado.
É tão bom abrir um livro e não apenas ver, mas sentir que vem carregadinho de história. Este já deve ter uma bem longa, uma vez que data de 1976.
Da minha parte, levou uma assinatura e uma data de 2014.
Sou só eu a achar este gesto importante? Para mim importa – e muito -, porque os meus livros me ajudam a lembrar de alturas importantes da minha vida e evocam dezenas de memórias deliciosas. Lembro-me perfeitamente de quando comprei, por exemplo, o livro da Wicca. Lembro-me com quem estava, onde foi, quanto custou, a que cheirava a loja de artes do oculto e que esta tinha um altar dedicado aos deuses de várias religiões pagãs de tantos outros povos.
Lembro-me do quão feliz fiquei quando o meu irmão me ofereceu o Danças na Floresta, porque soube logo que ele se tinha dado ao trabalho de ir ver a minha wishlist de livros no Goodreads.
É muito estranho fazer isto? Vocês têm algum tipo de ritual com os vossos livros?
